Receitas

Peripécias Felinas e um Pudim de Baunilha

Começo o ano no blog com duas coisas boas do ano passado, uma “aventura” com gatos – só podia não é? – e uma receita deliciosa de, imagine-se, um pudim sem ovos!!

Gatos primeiro! ;)

Apresento-vos a Luci, a minha “mai nova”, a miúda mais gira do pedaço, a gata que parece que não parte um prato mas que é a maior rufia cá de casa, uma princesa meiguinha que adormece enrolada em nós aos ronrons.

imageA Luci (eu queria dar-lhe o nome de Pucca, mas fui completamente ignorada e apesar de todas as tentativas perdi a batalha…) apareceu nas nossas vidas no dia de Halloween. Estava a caminho do meu antigo emprego e vejo no meio da estrada qualquer coisa que não sabia bem o que era e só ao desviar-me com o carro consegui perceber que era um gatinho. Existem muitos gatos de rua no local onde a encontrei e pensei que fosse mais um, mas estranhei nem se mexer, normalmente eles pisgam-se logo assim que alguém se aproxima, por isso parei o carro logo a seguir e fui ver o que se passava. Pensava que assim que lá chegasse, ele (ainda não sabia que era uma menina) ia fugir, mas ali ficou, encolhido como se fosse uma bolinha, no meio da estrada, sem se mexer. Peguei nele, e o coração caiu-me aos pés… era o gato mais magrinho que alguma vez tinha visto na minha vida…

imageDepois de lhe pegar claro que já não consegui deixá-la lá. Pu-la no carro, voltei para trás e fui deixá-la a casa da minha sogra, porque tinha de voltar ao trabalho e não podia juntá-la com o Garu e o Twiggy antes de sabermos o que se passava com ela. Assim que entro no carro ela salta para o meu colo, começa a ronronar bem alto e a fazer-me massagens nas pernas com as patinhas e assim fizemos o caminho todo. Eu só conseguia pensar como o destino por vezes nos põe no sitio certo à hora certa. Tivesse sido outra pessoa a passar naquela estrada àquela hora e talvez não tivesse parado e provavelmente a Luci teria morrido ali na rua.

imageAssim que cheguei à minha sogra e ela viu um prato com comida saltou do meu colo com uma genica incrível e comeu, comeu, comeu. O Filipe ficou lá com ela nesse dia, pôs-lhe pipeta para as pulgas, que eram tantas tantas, como nunca tinha visto, deu-lhe o desparasitante e ela aninhou-se no colinho a dormir com a barriga finalmente cheia.

Não sei a origem dela, se foi abandonada, se fugiu, mas com certeza não era uma gata habituada a estar na rua. Viam-se os ossos da coluna e da cauda, as perninhas eram dois espetos, quase não tinha pêlo. Estava pele e osso.

imageNo dia seguinte arranjámos as coisas em casa para leva-la connosco. Pusemo-la na cozinha onde improvisámos uma caminha, um caixote de areia e pusemos comida e água sempre à disposição. Ela ficava pouco tempo sozinha, apenas durante a noite e algumas horas do dia. Mas isso não a aborrecia. Nos primeiros dias passou o tempo a dormir, acordando ocasionalmente para comer e beber, ir à casa de banho e receber uns miminhos. Não brincava por iniciativa própria e nem reagia a qualquer estímulo da nossa parte para isso. Acho que estava a dar tempo ao corpo para recuperar.

imageFomos com ela à vet e ficámos a saber que tinha pelo menos 2 anos, não era castrada e estava muito subnutrida e desidratada. Viram-na desde a ponta das orelhas até à ponta da causa, apalparam-lhe, mexeram nos ouvidos, picaram-na imensas vezes porque foi muito dificil tirar sangue, rapara-lhe pêlo, trinta por uma linha. Tantas “maldades” e esta doçura não parou de ronronar uma única vez. Quando os resultados das análises chegaram fiquei super feliz e aliviada. Incrivelmente ela era uma gata saudável, sem anemia, sem Fiv nem Felv, sem fungos na pele e que agora só precisava de muito amor, carinho e comida com fartura. Yeaaah! :)

imageConforme os dias foram passando fomos notando melhorias na Luci. O pêlo começou a crescer, a barriguinha começou a notar-se e agora passados 2 meses e meio já engordou 2kg e é uma gata linda, de pêlo sedoso e brilhante (suponho que as lambidelas constantes do Garu contribuam para isso ihih). Adora brincar, é super curiosa, adora dar e receber miminhos e dá-se muito bem com os manos, embora ao início tenha sido complicado. O Garu foi o primeiro a aproximar-se e mesmo com umas bufadelas da parte dela nunca desistiu. Agora correm um atrás do outro, fazem emboscadas e ela é menina mas não se fica, se for preciso dá-lhe uma sapatada!

imageCom o Twiggy a coisa foi mais lenta. Ele tinha medo dela e ela não tinha confiança nele e isso deu origem a muitas bufadelas e algumas brigas. Agora já se dão bem, já passam um pelo outro sem ficarem na defensiva, já brincam juntos e conseguem partilhar o mesmo colo sem arranhadelas um ao outro.

imageComo menina que é, a Luci assim que se recompôs começou com os cios. Já passámos por dois, apenas com o intervalo de uma semana e digo-vos que não estava preparada para isto! E geme, e mia, e rebola-se, parece a música do Marco Paulo! Não conseguimos dormir, ela não pára sossegada, até tampões para os ouvidos já comprei e mesmo assim não dá para descansar! Ela bem tenta chamar a atenção deles os dois, esfrega-se toda e eles continuam na vida de sempre, com aquele ar de “who cares?” 😁 Como nada funcionava a Luci achou que fazer xixi no tapete da casa de banho era uma boa solução para conquistar os corações difíceis do Garu e do Twiggy. Adivinhem quem é que não ficou nada satisfeita de andar a apanhar xixis e lavar chão às 7h da manhã antes de ir trabalhar… A vet desconfia que ela possa ter alguns quistos nos ovários ou mioma no útero para fazer cios com tão pouco intervalo, pelo que a esterilização não só vai acabar com esta faceta sem vergonha dela como também vai ajudar a evitar problemas futuros.

imageE pronto, agora somos 5 cá em casa, população felina a ultrapassar a humana e se antes só dois já dominavam a casa toda então agora somos mesmo meros inquilinos, distribuidores de comida e de água, servos para limpeza da areia e para distribuição de mimos seja a que horas for. Mas somos triplamente felizes! ❤️

Agora que vos bombardeei com fotos e com a história da minha pequenina, está na hora da receita. E o que tem um pudim a ver com gatos? Nada!! Mas esta foi uma das últimas receitas de 2015, que fiz para a noite de passagem de ano e ficou tão boa, mas tão boa, que não podia deixar de ser a receita a abrir este novo ano aqui no blog.

imagePudim é doce que nunca falta na mesa da minha família nestas festividades e confesso que sempre foi uma das minhas sobremesas preferidas, culpa do caramelo que devorava como se não houvesse amanhã. Este ano deu-me desejos de voltar a comer pudim e decidi experimentar uma versão vegan a ver se saía alguma coisa de jeito. As expectativas não eram muitas, já que o agár-agár (uma gelatina vegetal proveniente de uma alga com o mesmo nome, que substitiu a gelatina mais comum) que ia usar estava fora de validade há mais tempo do que tenho coragem para confessar. Contrariando todas as probabilidades, os pudins saíram bem perfeitinhos e tão saborosos que foram um sucesso.

Estes pudins não ficam parecidos como os pudins de ovos, a sua consistência é mais semelhante aos pudins Boca Doce, por exemplo, mas não deixam de ser viciantes. E são tão fáceis de fazer que agora não precisamos de desculpas festivas sempre que apetecer uma coisinha boa destas. :)

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Ingredientes (para 4 pudins pequeninos)

  • 500mL de leite vegetal à escolha
  • 2 colheres de sopa de amido de milho
  • 2 colheres de sopa de geleia de arroz ou de açúcar mascavado
  • 1/2 vagem de baunilha
  • 1 pau de canela pequeno
  • 1 casquinha de limão
  • Agár-agár em pó q.b. para 500mL de líquido (usei 1 saqueta inteira da Vahiné)
  • Açúcar mascavado e água q.b. para o caramelo
  • Opcional: uma pitada de açafrão-da-índia em pó para dar uma tonalidade amarelada ao pudim

Como preparar

  • Num tacho juntar o leite, o amido de milho, a geleia de arroz (ou açúcar), as sementes da vagem de baunilha e também a prórpia vagem, a canela e a casca de limão. Mexer com uma vara de arames até o amido estar dissolvido.
  • Numa tacinha colocar o agár-agár em pó e disolver com 4 colheres de sopa leite do ponto anterior. Depois de misturado verter para o restante leite.
  • Levar a lume baixo e quando começar a fervilhar deixar assim durante uns 2 ou 3 minutos, mexendo de vez em quando para não formar nata nem agarrar ao fundo
  • Apagar o lume e deixar arrefecer uns minutos antes de verter para as formas.
  • Deixar os pudins arrefecer nas formas cerca de meia hora cá fora e depois colocá-los no frigorífico pelo menos umas 2 ou 3 horas.
  • Para fazer o caramelo: num tacho pequeno ou numa frigideira coloque açúcar mascavado até cobrir o fundo (eu triturei um pouco o meu no processador de alimentos para derreter mais facilmente) e verta alguma água, apenas o suficiente para cobrir o açúcar  e leve ao lume a fervilhar até ficar mais escuro, uns 3 minutos é suficiente
  • Desenformar os pudins e regar por cima o caramelo.

imageO caramelo, por mais tentativas que faça, nunca me sai totalmente bem, este ficou bom de sabor mas acabou por ficar um pouco duro. Têm dicas para o caramelo perfeito?

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22 Comments

  • Reply Diana Janeiro 17, 2016 at 12:15 am

    Bela história :) achei uma graça, a manta cinzenta que tens é igual à cá de casa dos gatos dos meus pais ahah

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 19, 2016 at 9:05 am

      Obrigada Diana:) esta manta deve ser comum em casas com gatos eh eh ;)

  • Reply Maria da Graça Duarte Janeiro 17, 2016 at 10:58 am

    Olá

    Os gatinhos são lindos.
    Parecem otimos os pudins.Sou intolerante ao agar agar como posso substitui-lo?
    Obrigada.

    Graça Duarte

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 19, 2016 at 9:02 am

      Olá Graça, obrigada :) quanto ao agar-agar acho que a nível vegetal não tem substituto, eu não conheço nenhum… talvez usando mais amido de milho fique consistente, tipo uma papa maizena. Vou pesquisar e se entretanto encontrar alguma coisa deixo aqui em comentário!

  • Reply ema magalhães Janeiro 17, 2016 at 7:24 pm

    Que giro!
    Também encontrámos na rua, ao passar de carro,uma gatinha assim malhada e chamámos-lhe… Pucca!
    Também é uma traquina e teve que ser esterilizada.
    E cá em casa também somos 2 humanos para 3 gatas…
    Mas é tão bom, não é?
    Boa semana!

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 19, 2016 at 8:59 am

      Ahah que engraçado Ema :) Eu queria uma Pucca para juntar ao Garu mas fui desprezada :P É óptimo mesmo,já não imagino a minha casa sem ser cheia de gatos :)

      Beijinho*

  • Reply Anasbageri Janeiro 17, 2016 at 10:41 pm

    Olá! Cá em casa tb somos Doris humanos para 3 gatos!
    Que post tao bonito!
    Gosto mt dos pudins, se o teu caramelo ficou duro é på talvez tenha passado do ponto, pode ser isso?

    Um abraco e bom ano.

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 19, 2016 at 8:47 am

      Obrigada Ana :) talvez tenha passado um pouco mas se deixo menos tempo o açúcar não dissolve… :/ tenho de ir tentado até acertar (o que não me chateia nada :P)

      Beijinho e bom ano para ti também!

  • Reply Sandra Maria Janeiro 18, 2016 at 1:07 pm

    Os gatos são o máximo!! Já tive 5 mas o passar do tempo não perdoa e agora são só duas irmãs de 15 anos (da mesma ninhada), inseparáveis, que estão connosco desde apenas alguns dias de vida :)

    Agora sobre a receita: o agar agar da Vahine é de pó ou flocos? Importante informação para poder fazer a equivalencia se o que temos em casa for diferente :)
    Obrigada pela receita e por também ajudares os peludinhos ronronantes!

    Sandra Maria

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 19, 2016 at 8:38 am

      É verdade, o passar do tempo é mesmo o que mais assusta, mas enquanto podemos desfrutar da companhia deles é maravilhoso :) o agar-agar da vahiné é em pó, tal como indico na receita, não gosto de usar flocos porque nunca consegui que ficassem bem dissolvidos :|

      • Reply Sandra Maria Janeiro 19, 2016 at 2:46 pm

        Tens razão… não sei como não reparei na indicação. Desculpa.
        Já está na minha lista de sobremesas a fazer em breve :)

        • NotGuiltyPleasure
          Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 22, 2016 at 6:37 pm

          Não tem problema Sandra ;) espero que faças e gostes! :)

  • Reply Ana Janeiro 19, 2016 at 10:27 am

    Muito bonitos os gatinhos!
    Os pudins também parecem maravilhosos, sugeria que para fazer um molho de caramelo que não endurece adicionar leite de coco (para substituir as tradicionais natas) após atingir o ponto desejado e mexer bem.

    Adorei o blog ;)

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 19, 2016 at 1:29 pm

      Obrigada Ana :)
      Eu costumo fazer isso para um caramelo mais espesso, mas desta vez queria mesmo aquele caramelo líquido típico dos pudins. Tenho de ir treinando ;)

  • Reply Green Food Janeiro 21, 2016 at 11:07 am

    Gatinha sortuda :) Adorei ler a história “dela” <3
    Que belos pudins, comia mesmo bem um agorinha ;)

    Beijos

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 22, 2016 at 6:34 pm

      :) temos de (finalmente) marcar qq coisa á em casa para virem conhecer a princesa :) e comemos uns pidins destes :P

  • Reply Inês Ginja Janeiro 22, 2016 at 7:20 pm

    Tão bom de ver este post!
    E a princesa Luci, que está tão linda. Fico tão feliz com estas histórias e ela bem merecia uma casa tão boa como a tua.
    O caramelo quando o quero mais líquido deixo menos tempo ao lume, assim que fica coradinho dourado tiro do lume e fica menos espesso.
    Um beijinho.

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 29, 2016 at 10:31 am

      :) é uma fofa esta princesa, nós é que tivemos sorte com ela porque é mesmo a coisa mais doce que já vi… Excepto para o twiggy, acho que eles se pegam para competir sobre quem é o mais fofo cá em casa ehehe :P
      Eu deixei o caramelo mais tempo ao lume para ficar escurinho, mas não resultou bem, tenho de fazer mais para ver se acerto :)

      Beijinhooo*

  • Reply elsa Janeiro 25, 2016 at 5:47 pm

    Olá!
    Não conhecia o teu blog, vim aqui parar graças à Miss Vite :)
    Eu não faço o caramelo da mesma forma que tu, e o meu resulta sempre (foi a minha mãe que me ensinou!:)) e faz-se da seguinte forma:
    Coloco o açúcar num tacho e coloco ao lume em mínimo. Vou deixando derreter (sem água!) e não mexo até estar derretido (pode-se abanar um pouquinho se estiver a escurecer). Quando o açúcar estiver praticamente derretido mexo com uma colher de pau e vou colocando água até ficar com a consistência que pretendo. A água deve ser colocado em muito pouca quantidade e deve-se mexer de imediato! A reacção da água a ser vertida no caramelo é um pouco agressiva mas não te preocupes, é normal ;)
    Espero que esta receita te ajude a fazer caramelo mais líquido!
    E eu agora tenho mais um blog para ir visitando ;)
    Beijinhos

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 29, 2016 at 10:28 am

      Olá Elsa, fico muito contente que tenhas vindo “cá parar” ;) especialmente através de um blog tão bonito como o Le Passe Vite, espero que passes por aqui mais vezes :)
      Vou tentar a tua dica da próxima vez que fizer caramelo, obrigada, está dificil de acertar com a maneira certa de ter um caramelo mais parecido com o dos pudins mas vou experimentar assim como dizes! :)

      Beijinho*

  • Reply Perdida em Combate Janeiro 26, 2016 at 12:16 am

    Que giro, nunca tinha visto essa forma de fazer caramelo. Costumo derreter o açúcar e depois juntar a mesma quantidade de natas pasteurizadas. Talvez também funcione com natas de soja, já que és vegan. Eu sou vegetariana, por isso vou voltar aqui mais vezes para me inspirar nas receitas :)

    • NotGuiltyPleasure
      Reply NotGuiltyPleasure Janeiro 29, 2016 at 10:23 am

      Também costumo fazer com as natas de soja, funciona sim, por vezes até troco as natas por leite de coco, fica muito bom, mas desta vez não queria caramelo espesso, queria o caramelo liquudo escuro dos pudins, mas ainda não acertei com ele! Nada como ir treinando :P
      Volta quando quiseres, espero que encontres a inspiraçào que procuras :)

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